Da minha terra à Terra – Sebastião Salgado

Sebastiao-Salgado “ Minha fotografia não é uma militância, não é uma profissão. É minha vida[…]. Adoro conviver com as pessoas, observar as comunidades – e agora também os animais, as árvores, as pedras. Minha fotografia é tudo isso, e não posso dizer que são decisões racionais que me levam a olhar para isto ou para aquilo. É algo que vem de dentro de mim. O desejo de fotografar está constantemente me levando a recomeçar. A buscar outros lugares. A procurar outras imagens. A tirar novas fotografias, ainda e sempre.”

Sebastião Salgado

 

 

Conhecer e observar a fotografia de Sebastião Salgado é compreender sobre a humanidade assim como perceber o que se passa nos quatro cantos de nosso planeta.

Ler  sua  história pessoal no livro, Da minha terra à Terra ( editora Paralela),  me fez admirar ainda mais esse incrível homem, que usa a fotografia – seu amado dom – como instrumento para divulgar situações que imploram por cura.

Nessa obra, escrita com o auxílio da jornalista Isabelle Francq, Sebastião refaz sua trajetória expressando (dessa vez por palavras) suas convicções e emoções em um comovente envolvimento com as pessoas e com o nosso mundo.

Mostro aqui apenas alguns trechos desse saboroso livro:

 

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Paciência com o ato de fotografar na contemplação das pequenas coisas, no aqui e agora:

“É preciso ter paciência para esperar o que vai acontecer. Pois algo vai acontecer, necessariamente. Na maioria dos casos, não há como acelerar os fatos. É preciso descobrir o prazer da paciência”

indivimages_0009_3.pngCapacidade que temos em transformar:

“[…]sensibilizar aqueles que as contemplam a respeito da capacidade que temos de mudar o destino da humanidade.”

indivimages_0009_3.pngAtuação no terceiro setor:

“Quando me tornei fotógrafo, procurei mostrar esse mundo explorado. Sua dignidade. Com o passar dos anos, trabalhei muitas vezes ao lado da UNICEF, da organização Médicos Sem Fronteiras, da Cruz Vermelha, do UNHCR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) etc. Desde então, mantenho-me ligado ao mundo humanitário.”

indivimages_0009_3.pngSempre ligado, juntamente com sua esposa, Lélia (parceira constante em sua vida profissional), nas injustiças:

“Lélia e eu constatamos que o mundo está dividido em duas partes: de um lado a liberdade para aqueles que têm tudo, do outro a privação de tudo para aqueles que não têm nada.”

indivimages_0009_3.pngEnvolvimento

“Ninguém tem o direito de se proteger das tragédias de seu tempo, porque somos todos responsáveis, de certo modo, pelo que acontece na sociedade que escolhemos viver.”

“Este é o nosso mundo precisamos assumi-lo.”

indivimages_0009_3.pngNatureza e coletividade:

“Não olhamos mais para a natureza e para os outros, nos separamos de nossa comunidade[…]”

“Voltar-se para o planeta é a única maneira de viver melhor. O mundo moderno urbanizado, cheio de regras e leis, nos esgota. Somente na natureza encontramos um pouco de liberdade.”

“Mas não devemos perder nossas referências , nosso instinto, nossa espiritualidade. Foi nosso senso de comunidade e nossa espiritualidade que nos fizeram sobreviver até agora.”

indivimages_0009_3.pngConsumo e materialismo

“[…]pois tanto multiplicamos os bens matérias para tentar nos proteger que acabamos nos esquecendo de viver[…]”

 

Finalizando a leitura deu vontade de largar tudo e sair desbravando este mundão de meu Deus, e amparando os mais desfavorecidos. Sebastião escolheu um caminho distante de ser o mais confortável, mas sem dúvida alguma, vive as cenas que fotografa.  Enxerga além. Enxerga a vida através de suas lentes.
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Fotos: sites de Sebastião Salgado.

 

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